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Homenagem a Francisco de Paula Candido Xavier
100 anos de Chico Xavier Que fazem: Dilmar Dutra e Marlene Daltro “PARNASO DE ALÉM-TÚMULO”. (POESIAS MEDIÚNICAS) Autoria: Augusto dos Anjos
“Vozes de uma sombra” Das substâncias elementaríssimas, Emergindo das cósmicas matérias. Venho dos invisíveis protozoários, Da confusão dos seres embrionários, Das células primevas, das bactérias.
Venho da fonte eterna das origens, No turbilhão de todas as vertigens, Em mil transmutações, fundas e enormes; Do silêncio da mônada invisível, Do tetro e fundo abismo, negro e horrível, Vitalizando corpos multiformes.
Sei que evolvi e sei que sou oriundo Do trabalho telúrico do mundo, Da terra no vultoso e imenso abdômen; Sofri, desde as intensas torpitudes Das larvas microscópicas e redes, À infinita desgraça de ser homem.
Na terra, apenas fui terrível presa, Simbiose da dor e da tristeza, Durante penosíssimos minutos; A dor, essa tirânica incendiária, Abatia-me a vida solitária Como se eu fora bruto entre os mais brutos.
Depois, voltei desse laboratório, Onde me revolvi como infusório, Como animálculo medonho, obscuro, Té atingir a evolução dos seres Conscientes de todos os deveres, Descortinando as luzes do futuro.
E vejo os meus incógnitos problemas Iguais a horrendos e fatais dilemas, Enigmas insolúveis e profundos; Sombra egressa de lousa dura e fria, Grito ao mundo o meu grito que se alia A todos os anseios gemebundos: -
“Homem! Por mais que gastes teus fosfatos Não saberás, analisando os fatos, Inda que desintegres energias, A razão do completo e do incompleto, Como é que em homem se transforma o feto Entre os duzentos e setentas dias. A flor da laranjeira, a asa do inseto, Um estafermo e um Tales de Mileto, Como existiram, não perceberás; E nem compreenderás como se opera A mutação do inverno em primavera, E a transubstanciação da guerra em paz;
Como vivem o novo e o absoleto, O ângulo obtuso e o ângulo reto Dentro das linhas da Geometria; A luz de Miguel Ângelo nas artes, E o espírito profundo de Descartes No eterno estudo da Filosofia.
Porque existem as crianças e os macróbios Nas coletividades dos micróbios Que fazem a vida enferma e a vida sã; Os antigos remédios alopatas E as modernas dosagens homeopatas, Produto da experiência de Hahnemann.
A psíquico-análise freudiana Tentando aprofundar a alma humana Com a mais requintadíssima vaidade, E as teorias do Espiritismo Enchendo os homens todos de otimismo, Mostrando as luzes da imortalidade
Como vive o canário junto ao corvo, O céu iluminado, o inferno torvo
Nos absconsos refolhos da consciência; O laconismo e a prolixidade, A atividade e a inatividade, A noite da ignorância e o sol da Ciência.
As epidermes e as aponevroses, As grandes atonias e as nevroses, As atrações e as grandes repulsões, Que reunindo os átomos no solo Tecem a evolução de pólo a pólo, Em prodigiosas manifestações;
Como os degenerados blastodermas Criam a descendência dos palermas No lupanar das pobres meretrizes, Junto dos palacetes higiênicos, Onde entre gozos fúlgidos e edênicos Cresce a alegre progênie dos felizes.
Os lombricóides mínimos, os vermes, Em contraposição com os paquidermes, Assombrosas antíteses no mundo; É o gigante e o germe originário, Os milhões de corpúsculos do ovário, Onde há somente um óvulo fecundo.
A alma pura do Cristo e a de Tibério, Vaso de carne podre, o cemitério, E o jardim rescendendo de perfumes; O doloroso e tetro cataclismo Da beleza louça do organismo, Repleto de dejetos e de estrumes.
As coisas sustâncias e as coisas ocas, As idéias conexas e as loucas, A teoria cristã e Augusto Comte; E o desconhecido e o devassado, E o que é ilimitado e o limitado Na óptica ilusória do horizonte.
Os terrenos povoados e o deserto, Aquilo que está longe e o que está perto; O que não tem sinal e o que tem marca; A funda simpatia e a antipatia, As atrofias e a hipertofria, Como as tuberculoses e a anasarca.
Os fenômenos todos geológicos, Psíquicos, científicos, sociológicos, Que inspiram pavor e inspiram medo; Homem! Por mais que a idéia tua gastes, Na solução de todos os contrastes, Não saberás o cósmico segredo.
E apesar da teoria mais abstrusa Dessa ciência inicial, confusa, A que se acolhem míseros ateus, Caminharás lutando além da cova, Para a Vida que eterna se renova, Buscando as perfeições do Amor em “Deus”. Dei início a uma investigação pessoal para descobrir uma maneira de unir ecumenicamente, espiritualidade com as ciências integrais, uma vez que entendo ser o Espiritismo a Ciência de todas as Ciências, e que não se pode buscar respostas, numa ou noutra ciência particular, mas sim; em todas as Ciências em perfeita sintonia com a Espiritualidade. Após ler, re-ler e tre-ler de tudo, e de estudar sistematizadamente olhando para as ciências com uma visão interativa e alternativa, deparei-me com a nossa realidade morfofisiológica e verifiquei que nas entrelinhas do primeiro livro psicografado por Francisco de Paula Cândido Xavier sob o título: “PARNASO de Além Túmulo”. Editado pela FEB – dava-nos o caminho a ser percorrido, através dessa maravilhosa poesia de “Augusto dos Anjos”, psicografada pelo maior de todos os médiuns Brasileiros, “Francisco Cândido Xavier”, usando uma linguagem, em que eu estava familiarizado com ela, como todos vocês puderam comprovar ao ler nesta matéria. Esta obra magnífica teve peso cognitivo na busca pela verdade, na reforma íntima moral e na certeza, que eu não poderia modificar o meu passado, mas poderia construir um novo futuro, e foi o que fiz. Chico! Sei que estás no “Campo Espiritual de Informação Energia e Inteligência” e eu ainda, no “Corpo morfogenético” em dimensões diferentes, mas sei também que pode me ouvir. Obrigado pelo que eu sou hoje. Um beijo no coração e muita paz. Dilmar Dutra e Marlene Daltro. |